Horários de Missas

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Mensagem do pároco › 01/03/2017

JESUS NOS LIBERTA DO MAL

Perdoai-nos as nossas ofensas […] E não nos deixeis cair
em tentação, mas livra-nos do mal. Amém! (Mt 6,12-13)

 

Quando se fala do mal, como no texto final do Pai Nosso, a que mal estamos exatamente nos referindo? Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome [Jo 6, 5-15], da injustiça [Lc19, 8], da doença e da morte [Mt 11, 5], Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os males da terra [Lc 12, 13.14; Jo 18, 36], mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas (cf. Catecismo da Igreja Católica, cânon 549).

É emblemática a Palavra de Deus na narrativa de Mateus (cf. Mt 6,12-13) quando buscamos os caminhos que Jesus indica especificamente para nos livrar do mal: na única oração que Ele próprio nos ensinou, recomenda-nos três súplicas ao Pai: que nos aparte do pecado, que nos ajude a não ceder à tentação e que nos livre dos demais males. Assim, Jesus, que orava muito, mostra-nos pelo seu testemunho que um importante caminho a trilhar é exatamente o da oração (cf. Lc 6,28; 21,36; Jo 17,15): é através dela que nos dirigimos a Deus, que nos concede as graças de que precisamos.

É preciso lembrar que Deus não nos atende em todos os nossos pedidos, nem no exato momento em que fazemos esses pedidos. Deus nos dá o que precisamos, não obrigatoriamente o que queremos, pois se faz necessário perscrutar se nossos desejos são compatíveis com aquilo que nos faz bem (cf. Is 55,8-9). Por isso temos a sensação de que Deus não nos atende, e muitas vezes parece não nos ouvir. Devemos esperar as demoras de Deus e confiar com humildade e segurança em seu discernimento quanto ao que devemos ou não receber de suas mãos (cf. Eclo 2).

Desejamos libertar-nos do mal, e para isso é essencial que nos lembremos de que a Verdade liberta (cf. Jo 8,32), e que em Jesus, Caminho, Verdade e Vida, é possível chegar ao Pai (cf. Jo 14,6), e para tanto, é necessário que tenhamos fé e creiamos no Evangelho (cf. Mc 11,23; 16,15-16).

O combate ao mal é relatado ao longo do Novo Testamento, identificado em muitas passagens marcantes: bendizendo a Deus (cf. Mc 9,39), abençoando (cf. Lc 6,28), agindo com misericórdia (cf. Lc 10,30), cultivando a Caridade (cf. 2Pd 2,9), a Justiça (cf. Mt 6,33) e a Paz (cf. Mc 5,34), vigiando (cf. Lc 21,36), e fazendo o Bem (cf. Mc 3,4; Jo 17,15) até aos inimigos (cf. Lc 6,28; Jo 17,15. 18,10).

Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: “Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” [Mt 8,17; Is 53,4]. Não curou todos os enfermos. Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal [Is 53,4-6] e tirou o “pecado do mundo” (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma consequência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora (cf. Catecismo da Igreja Católica, cânon 1505).

Por meio de diversas ações o próprio Jesus agia pessoalmente para libertar do mal: assumindo nossos pecados (cf. Mt 8,17); curando os enfermos (cf. Mt 9,35; Mc 3,10. 5,34. 6,55; Lc 7,21; Jo 4,46ss); devolvendo a visão (cf. Lc 7,21); retirando maus espíritos (cf. Mc 9,26; Lc 4,35. 7,21); impondo as mãos (cf. Mc 6,5); ressuscitando mortos (cf. Jo 11,39.43); concedendo o poder da cura (cf. Mt 10,1) e imunidade ao mal (cf. Mc 16,8). O fato é que A compaixão de Cristo para com os doentes e suas numerosas curas de enfermos de todo tipo são um sinal evidente de que “Deus visitou o seu povo e de que o Reino de Deus está bem próximo”. Jesus não só tem poder de curar, mas também de perdoar os pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: “Estive doente e me visitastes” (Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los (cf. Catecismo da Igreja Católica, cânon 1503).

Neste Ano Mariano, peçamos à santíssima Mãe de Deus, que interceda junto a seu Filho para que possamos sentir a importância da Sua ação libertadora, que nos valeu a libertação do mal. Que a Mãe da Esperança nos ajude a encontrar sempre em seu Filho o nosso Caminho rumo ao Pai; a buscar nEle a Verdade que nos liberta e a espelhar-nos nEle, que é a Vida que tanto devemos valorizar. Assim, com sua ajuda e perseverando na Oração, podemos suportar com paciência os reveses da vida e saborear a alegria do Evangelho.