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Notícias da paróquia › 29/05/2017

Festas juninas e religiosidade popular

Além da liturgia, a vida cristã nutre-se das variadas formas da piedade popular, enraizadas nas diferentes culturas.
Procurando esclarecê-las com a luz da fé, a Igreja favorece as formas de religiosidade popular que exprimem
um instinto evangélico e uma sabedoria humana, e que enriquecem a vida cristã (CIC 1679).

As manifestações de religiosidade popular, tão disseminadas, exercem um papel significativo para o cristão, constituindo com frequência parte importante das suas práticas religiosas. Fora da liturgia, o sentimento religioso do povo cristão com frequência se exprime de formas variadas na piedade popular, que cerca a vida sacramental da Igreja, como é o caso da veneração das relíquias, das visitas aos santuários, das peregrinações, das procissões, das novenas, da via-sacra, das danças religiosas, do rosário, das medalhas, etc.

Naturalmente, devoções populares estendem a vida eclesial litúrgica, porém não a devem substituir, mas, acompanhando a liturgia, a esta orientar os fiéis, já que, por natureza, a liturgia lhes é, de longe, superior [cf. Sacrosanctum Concilium, 13]. O sustento e o amparo da piedade popular exigem que se purifique e corrija o sentimento religioso subjacente, priorizando a intimidade com Cristo.

A religiosidade do povo é um acervo de valores com sabedoria cristã que, mesclando criativamente o divino e o humano, afirma, mesmo em meio às agruras da vida, a dignidade de toda pessoa como filho de Deus. Esta sabedoria é também para o povo um princípio de discernimento, um instinto evangélico que promove a garantia da autêntica aplicação dos ensinamentos do Evangelho, impedindo que interesses espúrios o esvaziem ou distorçam. É dessa forma que celebramos, neste mês de junho, a festa de três santos que se tornaram muito populares para o povo brasileiro: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Santo Antônio de Pádua foi um franciscano apaixonado pela Bíblia, dotado de extraordinária inteligência e o pregador mais popular da Itália, que à sua época atraía e convertia multidões, tocadas pela Palavra de Deus.

Viveu uma vida simples, realizou muitos milagres e usou nas homilias que proferia seu grande domínio das Escrituras para combater os vícios e heresias da época. Na boca do povo, Santo Antônio tornou-se: o santo casamenteiro; o santo das coisas perdidas; o pão dos pobres (devoção e também instituição que coleta e converte em pão doações para os pobres); a trezena (“novena” de 13 dias celebrando sua morte); entre outros. Dia 13 de junho não é dia de azar, e sim o dia em que celebramos a festa de Santo Antônio.

No dia 24 de junho, celebramos São João Batista, o segundo santo junino, parente de Jesus, nascido do idoso e estéril casal Zacarias e Isabel; esta, prima de Maria (cf. Lc 1,57-80). João viveu uma vida austera no deserto, vestindo roupas rudes e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre, pregou um Batismo de penitência e conversão. Anunciou Jesus como o Messias e o batizou no rio Jordão (cf. Mt 3,1-17). Com sua enérgica cruzada contra o pecado, desagradou os poderosos, pelas mãos dos quais acabou morrendo decapitado (cf. Mt 14,1-12). Nas festas populares de junho, diversas tradições de origem pagã, ganharam perspectiva cristã, e estão ligadas a São João: a fogueira (homenagem ao santo); os balões (marcavam o início dos festejos; como causam incêndios, foram proibidos); as bandeirolas (alegram o ambiente exibindo a imagem dos santos); os fogos de artifício (crendice usada para “acordar” o santo homenageado) e as danças de quadrilha (agradecimento aos santos pelas boas colheitas).

O terceiro santo junino é festejado em 29 de junho, São Pedro. Ele foi o primeiro dos apóstolos de Jesus, o qual mudou seu nome de Simão para Pedro, em alusão à pedra fundamental da Igreja, que ele se tornaria.

É representado com as chaves, pois como chefe da Igreja foi-lhe dado o poder de abrir ou fechar as portas do céu (cf. Mt 16, 13-19). Pedro foi martirizado numa cruz, de cabeça para baixo, na atual região do Vaticano. No dia de São Pedro comemoraremos também o dia do Papa, símbolo de unidade e autoridade na Igreja. Entre as tradições populares sobre São Pedro, destacam-se: a famosa procissão de São Pedro, padroeiro dos pescadores (ele próprio o era); padroeiro das viúvas (Pedro era casado); “manda-chuva” (crendice, obviamente infundada, que atribui a Pedro o controle da chuva).

Assim, as comunidades alimentam a sua fé através da devoção sincera aos seus padroeiros e, em torno do exemplo destes santos, que viveram intensa intimidade com Deus, procuram elas viver conforme os seus modelos de santidade. Que os santos juninos nos ajudem a imitá-los, acolhendo a Palavra de Deus, sendo profetas contra toda injustiça e pecado. Fortaleçam as nossas comunidades na fé e nos ensinem a dar amor e dedicação a todos os que necessitam de acolhida. Viva Santo Antônio! Viva São João! Viva São Pedro!