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Notícias da paróquia › 03/10/2017

A garrafa de “Coca-Cola” e a nossa fé

O relato das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) inaugura a presença das mulheres na comunidade dos amigos de Jesus, colocando Maria, sua mãe, presente no início e, posteriormente, no final de sua missão, sendo chamada em Caná e na cruz de “mulher” (Jo 2,4 e 19,26). Ao chamar Maria, sua mãe, de “mulher”, Jesus não a ofende, mas resgata o valor dela, como mulher e figura do povo de Deus. As Bodas de Caná nos mostram Maria como a mãe da comunidade cristã, que estimula os servidores e amigos de Jesus a realizarem sua vontade. Ela ajuda os discípulos a terem fé em Jesus e ficarem junto dele. Maria, a mulher atenta às necessidades das pessoas, pede ao seu filho Jesus. O povo vê nesse gesto de Maria sua bondade e caridade, e também sua capacidade de intercessão, pelo bem dos outros.

A remissão às Bodas de Caná habilita o trato de um assunto espinhos, que pede dos cristãos católicos uma atitude diversa daquela que temos assistido no estado do Rio de Janeiro: a intolerância religiosa. O colunista Ricardo Feltrin trouxe relato no UOL, em 11 de setembro último, de um pastor que comparou em culto a imagem de Nossa Senhora a uma garrafa de Coca-Cola. “A boca dela não fala. O ouvido dela não ouve. Você que está com câncer, tire ela do pedestal. Talvez tenha um altar aí”… Com a garrafa na mão, ele a solta no chão. “Eu a desafio a levantar. Estou falando da Coca-Cola. Mas você sabe do que eu estou falando”…cf.: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias

A situação posta nos instiga a integrar mais e melhor, dentro de nós, nossos desejos e tendências e colocá-los a serviço do seguimento de Jesus. A devoção lúcida que temos em Nossa Senhora da Conceição Aparecida auxilia no resgate da mulher, ainda duramente ferida em sua dignidade, além de nos colocar sempre prontos a aprender e crescer. Maria também é aprendiz da vida, e esta talvez seja uma das melhores virtudes para testemunhar aos presunçosos de plantão. No início, Maria não entende tudo (Lc 2,49-50), mas no correr da vida Jesus a surpreende inúmeras vezes (Mc 3,31-35). Maria trilha um caminho sempre positivo, sem desvios falsos ou atoleiros.

Maria, cheia de graça, tem forças para integrar tendências e impulsos e enfrentar o mal. Mais do que uma infeliz comparação a uma garrafa de Coca-Cola, Nossa Senhora Aparecida indica a todos os que se abrem aos desígnios de Deus, que algum “privilégio” – ela de ser Mãe de Deus e nós de sermos filhos(as) de Deus –, não deve nos transformar em pessoas orgulhosas. Assim como Maria, a liberdade interior nos ajuda a desenvolver nossas melhores qualidades humanas, tornando-nos criaturas mais santas, mais inteiras, mais “donas” de nós mesmos e abertas a Deus. E isto, também, para o bem de todos!

Obrigado, Senhor, por nos teres dado Maria, invocada sob o título de Nossa Senhora Aparecida!

Olhando para ela, sentimos a alegria de ver uma da nossa raça, humana e limitada como nós, mas transbordante de graça. Olha, Senhor, pela humanidade manchada pela violência, pelo consumismo, pela pobreza, pela corrupção, pela falta de sentido para viver. Dá-nos a graça de integrar os nossos desejos, pulsões, tendências e afetos. Liberta nossa liberdade. Acolhe a cada um de nós, santos e pecadores, e faze-nos humildes servidores da Boa Nova, a exemplo de Maria. Amém!