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Notícias da paróquia › 16/03/2015

A Espiritualidade, à luz da Evangelli Gaudium

Mergulhar no conteúdo da exortação apostólica Evangelii Gaudium é dar-se a oportunidade de revigorar a espiritualidade e renovar a missão evangelizadora no contexto contemporâneo.

Nos capítulos 2 e 5, o Papa comenta os desafios sociais, culturais, econômicos do mundo atual, e insta os agentes de pastoral a um compromisso comunitário otimista, a evitarem o individualismo, a rivalidade interna na comunidade, os conflitos entre cristãos. Em seguida, levanta algumas tentações comuns entre os agentes pastorais – O fascínio do gnosticismo, que propõe uma fé fechada no subjetivismo, em busca apenas de experiências agradáveis, mas incapaz de se expressar através do ardor missionário e do empenho pela transformação do mundo. O comodismo egoísta que se fecha a um empenho mais generoso e contagiante na atividade apostólica. O neopelagianismo autorreferencial, fechado à graça, que só espera frutos da capacidade humana e não da atuação divina. A divisão, que enfraquece a ação evangelizadora, pois priva a missão do testemunho da comunhão. Francisco aconselha a que diante do desânimo egoísta, conservemos a alegria da evangelização (81-83); diante do pessimismo estéril, guardemos nossa esperança (84-86); diante do mundanismo espiritual, resguardemos o Evangelho (93- 97); frente às guerras internas na Igreja, protejamos o amor fraterno (98-101); e que diante de outros desafios eclesiais, preservemos nossa força missionária (102-109).

Adiante, o Papa Francisco convida a evangelizarmos com espírito, propondo reflexões sobre essa nova evangelização: (a) Jesus quer a Boa Nova anunciada não só com palavras, mas também com a vida, com abertura e confiança na ação do Espírito, que renova, sacode, impele a Igreja para fora de si, a evangelizar a todos, de forma alegre, generosa, ousada, contagiante, amorosa até o fim (259-261); (b) O mote beneditino ora et labora – reze e trabalhe – aplica-se à nova evangelização, que tanto rejeita espiritualidades estritamente intimistas, como ações sociais que não venham acompanhadas de uma espiritualidade renovadora. O Santo Padre nos lembra de que, embora os primeiros cristãos tenham vivido em ambientes tão hostis como o nosso, ou até piores, resistiram à acomodação egoísta, perseverando corajosos e motivados (262-263); (c) O amor recebido de Jesus é o melhor que pode-mos transmitir aos outros. Motivemo-nos a comunicar o Evangelho contemplando-o com amor, detendo-nos a lê-lo com o coração, permitindo assim que sua beleza nos deslumbre e cative. É mensagem que não engana, não manipula nem desilude, mas penetra, sustenta e eleva. Com Jesus, é mais fácil encontrar sentido em tudo. Por isso evangelizamos. Jesus disse: “Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.” (Jo 15, 8) (264-267); (d) Jesus nos toma do meio do povo e nos envia ao povo. Evangelizadores com espírito desenvolvem o prazer espiritual de estarem próximos da vida das pessoas, e Ele próprio nos dá o exemplo de envolvimento com o povo sem, porém, fugir das cruzes da miséria humana. Somos incentivados a vencer o mal com o bem, sem por isso nos considerarmos superiores (cf. Rm 12,21; Fl 2,3). Somos marcados pela missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Resgatada por Cristo, toda pessoa, imagem e semelhança de Deus, é digna de nossa dedicação. Estar com os outros e existir para eles revela, em nosso íntimo, um profissional autêntico, e deixam de ser povo os que separam da vida privada as suas tarefas, vivendo apenas em função das próprias exigências (268-274); (e) A carência de uma profunda espiritualidade se transmuta em pessimismo, fatalismo, desconfiança. Crer que nada se pode mudar inviabiliza ser missionário, pois todo esforço em detrimento de comodidades se torna inútil. Porém, mesmo com sua paixão e morte, o Ressuscitado triunfou, vive de fato com todo o poder (cf. 1Cor 15, 14), alimenta nossa esperança, e subsidia nossa missão. A força do Ressuscitado, mesmo arduamente, acaba frutificando na pior adversidade. O coração pode se cansar de lutar devido a um carreirismo ávido de prestígios, ofuscando o Evangelho com muitas desculpas. A missão não é um projeto empresarial. Às vezes os frutos da Ressurreição de Cristo não são vistos, mas com certeza existem de alguma forma, em algum lugar. É preciso confiar no Espírito Santo e invocá-lo sempre. Guiados por Ele, seremos misteriosamente fecundos (275-280); (f) A intercessão nos incentiva particularmente a uma entrega à evangelização e nos motiva a procurar o bem dos outros. Não nos afasta da verdadeira contemplação, porque a contemplação que deixa de fora os outros é uma farsa (281-283); (g) Peçamos finalmente a intercessão de Maria, sempre presente no meio do povo, para que auxilie a Igreja na renovação da sua evangelização (284-288).

Para aprofundamento, baixe e leia na íntegra a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium clique aqui.