Horários de Missas

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Artigos › 03/04/2018

Sem Cristo nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5)

O Documento 100 da CNBB (2014) sugere que, partindo de uma modernização operacional das paróquias, protagonizemos, como discípulos e missionários, a pregação da Boa Nova do Evangelho. Assim, esse documento trata das seguintes questões: aponta aspectos da realidade paroquial atual que motivam conversão pastoral, sem a destrutiva e usual prática do expurgo sumário, em prol do novo, de elementos tradicionais eficazes; resgata fundamentos bíblicos das primeiras comunidades cristãs, neles apoiando ações de conversão pastoral da paróquia; encontra, na história, os pontos que merecem maior atenção: as primeiras paróquias surgiram para atender (com a ajuda dos presbíteros) os cristãos que viviam distantes do seu bispo (pastor); aponta os fundamentos eclesiológicos da comunidade, à luz do Vaticano II, e propõe a partir daí descentralizar a paróquia em pequenas comunidades, proporcionando proximidade e encontro; sugere conversão pastoral: no contexto paroquial cada um exerce um papel distinto próprio.

No capítulo 6, há uma compilação de propostas de como tornar a paróquia uma comunidade de comunidades: formar pequenas comunidades desde o anúncio querigmático, unidas pela fé, esperança e caridade; meditar a Palavra de Deus pela Leitura Orante; celebrar a Eucaristia, unindo as comunidades da Paróquia; organizar retiros; estabelecer o Conselho de Pastoral Paroquial e o Conselho de Assuntos Econômicos, o que garante a comunhão e a participação; valorizar o laicato e promover boa formação para ministérios leigos; acolher a todos, especialmente os afastados, atraindo-os para a vida em comunidade, expressão da missão; viver a caridade e fazer a opção preferencial pelos pobres; estimular que a igreja matriz e os demais templos na paróquia tornem-se fontes de propagação e animação da fé e da espiritualidade; dar maior atenção aos condomínios e conjuntos de residências populares; garantir a comunhão com a totalidade da diocese; utilizar os recursos da mídia e as novas formas de comunicação e de relacionamento; ser uma Igreja “em saída”, missionária.

É perceptível que a secularização tem agido com força e dificultado a presença pública da paróquia e sua costumeira influência na sociedade. Para que as paróquias voltem a ser, como já o foram nas antigas comunidades cristãs, referências de vivência pastoral e evangélica, será necessário adaptar às necessárias ações de reestruturação as atividades eclesiais e pastorais hoje nelas exercidas, seja por presbíteros ou por leigos. Um grande desafio é observar os “sinais dos tempos” a fim de detectar aspectos da realidade para os quais seja oportuna uma conversão pastoral, evidenciar para elas os fundamentos eclesiológicos da comunidade no contexto do Vaticano II, e colher novas propostas para essa comunidade de comunidades.

Para que, analisada com olhos de discípulos missionários, tal identificação seja apropriada diante das tantas difíceis realidades atuais, é em Deus que devemos buscar a graça necessária através da iluminação do divino Espírito Santo, sem o qual, diz o Papa Francisco, “nunca poderá haver uma evangelização”. Assim, por exemplo, notamos nas gerações atuais: o recente despertar do ego, que impede pensar no outro, bloqueando a dimensão de partilha; a pressão social que reduz a liberdade e a autonomia; a dispensa da família pelo indivíduo e vice-versa; a baixa prioridade ou até o expurgo da religião; a consequente decadência moral sistemática da sociedade; a crescente indiferença em relação ao outro, mesmo aos mais estreitamente relacionados, o que resulta na grande dificuldade de planejamento do futuro.

Agrava-se ainda mais a situação que as redes sociais tendem a promover, junto aos jovens individualistas, a cultura imediatista, a busca de satisfação rápida e inconsequente, o desperdício, o descartável, continuando a gerar a pobreza, a violência, e a exclusão social; além de fomentar o anonimato; excluir e perseguir migrantes, levando-os à isolação e à solidão; mudar hábitos, construir necessidades. A Internet, apesar dos benefícios que traz, também se estabelece como terra de ninguém, sem lei nem ordem, que proporciona “liberdades” sem limites, e falsas ilusões nos novos espaços e horizontes que cria e socializa. Nesse contexto virtual, pautado pelo laicismo e secularização, e com frequência pela apologia do mal e do pecado, cabe à Igreja tomar a iniciativa de reagir, combatendo essas tendências e influências, e voltando a propalar de forma convincente, por palavras e pelo exemplo de vida, os valores cristãos do santo Evangelho.

Por comodidade, inércia e falta de protagonismo, nós, católicos, não podemos continuar passivamente a deixar que nos soterre a intensa e eficaz ação de ativistas de tantas ideologias contrárias, cujo crescente e lucrativo empenho vem atuando cada vez mais sobre o nosso modo de ser, afastando-o do cristianismo e minando paulatinamente o forte papel que a Igreja já teve nas decisões morais dos seus fieis e da sociedade.

Em busca da desejada missionariedade, será oportuno, com humildade, inserir nas paróquias o dinamismo e a maleabilidade que lhes estejam faltando, viabilizar a plasticidade, a docilidade e a criatividade necessárias a uma saudável superação dessa conjuntura. A renovação das paróquias requer a emergência de boas lideranças, bem como o essencial protagonismo dos leigos precisa ter início já, com a devida preparação cuidadosa dos agentes de pastoral.